quinta-feira, junho 08, 2006

Porque sim… Apetece-me… E agora?

O coração parte-se em dois nos momentos menos oportunos. E é curioso chegar ao final de um dia como outro qualquer e saber-se isso mesmo, que foi um dia qualquer, não foi o nosso aniversário, não nevou na serra da Estrela. E no peito o coração parece maior do que o que realmente é… Mas há outra parte desse mesmo coração que está muito mais pequena.

A vida devia ser construída de acordo com as nossas vontades… As tradições deviam ser mudadas para que as pessoas se sentissem bem nelas…Não há quem diga que a Tradição já não é o que era? Que coisa… A vida não é justa, nem esse seria o meu desejo, mas… Oh…Não sei… Há pessoas que vão perceber estas linhas… Outras não, mas essas que se lixem… Acabei o meu trabalho de SRV e apetece-me falar das injustiças do mundo, que também acaba por ser uma injustiça, porque os outros ainda trabalham. Devemos tratar sempre bem das pessoas que gostamos e nesse processo tentativa-erro acabamos por meter sempre os pés pelas mãos. Apetece-me rir neste momento…

E apetece-me chorar, porque uma parte de mim estará sempre incompleta. Analisando a vida de uma maneira racionalista, quando nos magoamos temos duas moletas, porque só com uma não vamos a lado nenhum… Os pagãos acreditam que tudo no planeta se organiza a pares: positivo/negativo; preto/branco; feminino/masculino… Quando nascemos vimos com a maioria dos órgãos em duplicado: dois rins, dois pulmões, dois olhos, dois ouvidos… O coração é um mas divide-se.

Tenho dois ventrículos e duas aurículas. Se assim é porque é que estando eu a acabar o meu curso me vêm dizer que só posso ter um Mestre? Ridículo, meus senhores. Não aceito. E por não aceitar estou aqui a escrever. Porque não tenho mais nada para fazer e porque me apetece, porque a minha vida é o que me apetece e pronto.

Nunca há-de doer a escolha feita, porque a escolha não foi algo pensado na hora, foi uma certeza que se foi consolidando desde há muito, muito tempo. Que se fosse um muro teria tido os seus tijolos um em cada dia, um em cada tag html transmitido, em cada dúvida que encontrava resposta do outro lado. Uma escolha baseada no meu crescimento ‘profissional’ e pessoal.

Há-de doer sempre a opção que não foi escolhida, eleita, sei lá… Soa-me tudo mal, como se não tivesse valor, como se não significasse, e isso deixa-me mal, de rastos. Essa dor há-de ser ficar cá dentro, como ficam as lembranças tristes da infância e os sorrisos a que damos outro valor quando estamos tristes. Porque, por um motivo que desconheço, essas ficam sempre, e não querem ir embora. Mas ficam também os passos de gigante que me fez dar, o dom de estar sempre lá e de me colocar em dúvida durante dois anos inteiros, porque estas coisas não se pensam na véspera.

‘Nesse templo são dois os pilares, Que protegem e guardam a entrada E fazeres o que queres será, então, o desafio.’

terça-feira, maio 16, 2006

Os nossos fabulosos títulos

Porque há quem diga que eu e a Tânia não conseguimos encontrar um título bom para um trabalho, aqui ficam as provas em contrário...

Quando as fobias se tornam doenças

A psicopatologia do medo

Esquizofrenia - quando as fobias se tornam doenças

Psicocinética do movimento

Taras e Manias

Psicocinética da Fobia

Psicofobia do movimento

Medos

Fobias

Teorias da Coonspiração

Psicocinética da Conspiração

Psicoestrogénio da conspiração

Psicofobia do estrogénio conspirado

Calamento Global

Recalcamento Global de uma mente deturpada

Os impulsos psicocinéticos do recalcamento global

Instintos Primários

sexta-feira, maio 05, 2006

Ovos Moles e Moonspell

LINDO. Foi lindo...

Passava um pouco das 20h quando chegamos a Aveiro. Uma terra que eu nunca tinha visitado, mas que sabia qu eexistia porque os comboios que apanhava para Espinho tinham como destino Aveiro. Fui com a Tânia e a Anabela; o Jão armou-se em estúpido e não foi. Mas valeu a pena, valeu mais do que a pena...

O Fernando Ribeiro em grande. Espectacular como sempre e como só ele. A sua voz ainda ecoa na minha cabeça. O Ricardo Amorim lindo como poucos, pu até nenhuns. Dos seus dotes musicais nem falo. O Pedro Paixão poderosissimo. O Mike sempre o primeiro a entrar e o último a sair (eu acho que ele devia fazer quixa ao sindicado dos bateristas de bandas metal, mas não quero ser intromdetida...)

Resumindo, a noite mais perfeita da minha vida sem estar trajada...

domingo, abril 30, 2006

I hate Love! I love Hate!

Não acredito num mundo bom e perfeito, porque ele não existe. Não acredito que as pessoas tenham de amar o mundo e perdoa-lo e que só assim é que seremos boas pessoas. Não acredito que o amor é o único caminho. Não acredito nem quero acreditar.

Desde que o mundo é mundo existem guerras (estatais ou mesmo pessoais) e será sempre assim, até ao fim. O ódio nasceu no momento em que este sistema de coisas foi inventado e é o meu caminho. Quando o sangue corre bem mais depressa nas veias, quando o sinto dentro de mim a ferver, quando isto acontece, olho ao espelho e não me vejo a mim, vejo uma pessoa nova, com força e vontade para destruir o mundo. Apaixonei-me por essa pessoa quando a vi pela primeira vez.

Ela é diferente de mim, porque eu ainda vou tendo coração (às vezes mais do que desejado, mas…) e ela não o tem. Nada a consegue parar. Essa pessoa que está do outro lado do espelho deseja ter o mundo e esquece-se de tudo o que a rodeia e a ama, porque isso não importa. O Amor só nos tira força; as pessoas que nos amam e que amamos não passam de obstáculos na nossa conquista. E ela passa por cima de todas elas, sem dó nem piedade…

E fico feliz porque sei que ela vai morar sempre do outro lado do meu espelho, que vai estar sempre lá para quando for preciso e que um dia eu deixarei de existir para lhe dar vida eterna…

quinta-feira, abril 06, 2006

Saudades

Não consigo encarar bem o facto de te teres de afastar. Tens a tua vida e tens de seguir com ela, mas para mim isso não é assim tão fácil. Ainda precisava de ti, ainda me sinto imatura e com um longo caminho à minha frente, mas sem ti. Durante muito tempo sempre estiveste lá, ao meu lado, mas só quando te perdi é que percebi o quanto significas, o teu verdadeiro valor.

Eu sabia que terias de partir, mas podias ficar mais tempo, podias ficar até ao nascer do sol. Só mais uma noite. E acredita que neste momento preciso mesmo de ti. Preciso saber que existe alguém ao meu lado, um receptor para tudo o que sinto e para as minhas dedicatórias/declarações de amor. Esta noite não posso ficar sozinha porque tenho medo do escuro. Toda a coragem que trouxeste irá contigo quando partires. Para trás ficaram apenas as memórias de um tempo feliz, em que eu me sentia especial e o era, de facto.

Ficam também os sonhos partilhados, mas ainda aqueles de que nunca falamos. Nunca te disse que era o teu sorriso que me dava forças quando estava mal e me elogiavas dizendo que te orgulhavas de mim por ter vontade de vencer nas situações em que qualquer outra pessoa baixaria os braços. Nunca te disse o que quero fazer no futuro. Assim como nunca o meu maior desejo é conseguir perceber que religião é a minha e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ela. E nunca te disse o que és para mim…

Porém, o que eu queria era dizer-te que depois de ti nunca mais me contentarei com ninguém porque sempre foste perfeito em toda a tua perfeição e não mais me contentarei com nada menos que essa perfeição. Procurá-la-ei em todos os braços que se abram para mim e se não a encontrar ficarei sozinha, num canto do meu quarto, lembrando-me de ti e sabendo que encontrarei alguém igual, porque nunca deixarias a minha vida se não soubesses que outro alguém viria.

E nunca te esquecerei. Ficarás para sempre gravado na minha vida como aquele alguém especial, que entrou no meu caminho para sair mais tarde, mas que deixou marcas bem fundas. Alguém que foi pai, irmão; rei, escravo; amante e sempre o será!

Dor

Muitas vezes sabemos que algo nos faz mal, mas mesmo assim continuamos a seguir as nossas vidas, mudando tudo menos tirando do caminho o que magoa. Porque se por um lado nos causa dor, por outro deixa-nos leves e felizes. Só um simples sorriso tem o poder de tornar tudo muito mais fácil. Os problemas existem, sabemos que sim, e temos de lidar com eles. Noutras alturas, estaríamos a ocupar-nos com todas as coisas possíveis para não termos tempo de tratar do que realmente interessa.

Porém, com um sorriso ao nosso lado e uma mão no nosso ombro enfrentam-se os problemas de frente. Sem recorrer ao ‘depois eu trato disso’ ou ao ‘quando puder’, resolvem-se os problemas para ontem. Ontem, quando tudo deveria já estar resolvido e não estava…

Há algum tempo fiz uma amiga, Guiomar. Guiomar está com problemas; estamos todos. (Uma vez li num e-mail que quando se entra na faculdade se percebe que a depressão não é uma ‘frescura’). Disse-lhe algumas vezes que estava a passar pelo mesmo que ela, mas acho que nenhuma das duas percebeu o sentido das palavras que se deslocaram entre nós.

Na última vez, ela expressou a sua vontade de partir, disse-lhe que também era a minha vontade. MAS como poderia eu partir de um local onde já não estava há muito tempo? Já tinha partido, sem avisar ninguém. Surpreendendo-me até a mim própria quando percebi que partira sem pedir autorização. A menina escrava do seu amor tinha começado a tomar decisões por ela própria. Já não era essa menina; era uma mulher, que não tinha a certeza se o queria o ser já ou não.

Sempre que me deitava para dormir ainda sonhava com o homem perfeito, aquele que o seu coração lhe dizia que existia e estava à sua procura em qualquer parte do mundo e que quando se encontrassem, veriam um ponto de luz no ombro do outro (Paulo Coelho. Sempre Paulo Coelho com a sua forma de acalmar os corações com meia dúzia de parágrafos). De olhos fechados, ainda tinha um quarto cor-de-rosa, uma gaveta cheia de recortes de revista de vestidos de noiva. O boneco na mesa-de-cabeceira que me dizia que iria ser uma mãe fantástica. Sentia que ainda era uma menina, que acredita nos contos da Disney, que chora com eles.

No mundo do dia-a-dia, tinha de ser a recém-adulta. A que sabia exactamente o que queria e como se fazem ligações à base de dados. Mas também tinha direito a problemas. Desejava ser desejada pelos homens e sempre que algum deles a tocava de um modo especial, entregava-se por inteiro. Depois ficava o vazio. O vazio de não se ser compreendido, de ter dado tudo e não ter recebido nada em troca, do dia estar a ficar mais e mais pequeno e a noite maior e maior.

O nosso sangue é vertido pelos infiéis. Vai-se aprendendo coisas novas e lendo novas histórias. Surge a ideia do príncipe encantado ser um vampiro. ‘Assim, sim. Assim já podes, já não és criança’. E o sangue passa a ser a nossa maior dádiva. Aqueles que o bebem querem sempre mais. E nós partimos. Deixando os outros a viver na ilusão, a beber água em vez do nosso sangue. Pelo menos alguém tinha de sobreviver. E sobrevive-se…

No outro sítio, onde estou agora, mas ainda não sei onde é, aí continuo a sonhar. Continua a haver um homem (tem de haver sempre um homem), por quem verteria todo o meu sangue, mas que me faz acreditar que o mundo não tem de ser mau…

O homem que eu amei

Quando acordo, cada manhã, tentando encontrar-me, penso no que sou e no que fiz por te amar. Se um dia foste alguém, não posso afirmar, pois apenas és o passado e o homem que deixei de amar. Para mim é difícil falar dessa paixão; para ti foi bem mais fácil para ti o meu coração.

Não sei porque é que a tua ausência me incomoda se és apenas o homem que deixei de amar…

Se o amor que eu te dediquei não foi bastante para ti… De tudo eu fiz para te satisfazer, mas tu não viste, não quiseste saber nem te importaste. Foste mágico… Mas se um dia eu tiver de cruzar o teu caminho outra vez, tu não vais ver aquilo que fui nem o que me fizeste, pois se um dia eu me dei a ti que só me desprezaste, agora és o passado e o homem que eu deixei de amar.

Pois és apenas o homem que eu deixei de amar…

Pedro Candeias

Ele acabou o curso há dois anos. É técnico em Jornalismo. Percebe de Flash. É um queridinho dos docentes e outros técnicos. Tem cabos de bateria no carro. A última (e única) vez que falei com ele estava constipado. O nome dele é… não importa.

O que importa é que ele tem um gabinete e eu não. Posso estar a ser injusta, mas nunca o vi trabalhar (muito). Os alunos recorrem a ele só mesmo em último caso, quando já experimentaram tudo o que lembravam, quando procuraram outros alunos, quando falaram com os professores e eles disseram que não tinham tempo. Então aí, talvez seja uma opção falar com ele. E ele tem um gabinete e eu não… Vicissitudes da vida.

Vamos lá ser sinceros agora. Ele percebe bastante de Flash. Estive 10 minutos ao seu lado e senti-me ignorante. Ele é atalhos e mais atalhos e nós ficamos a olhar. Seu único (?) problema: parte do princípio que mais ninguém percebe de Flash e trata-nos como se fossemos burros.

Posso dizer que desde essa (fatídica) vez em que fui falar com ele, subiu na minha consideração… Mas não o suficiente para passar a gostar dele. E sim. Têm razão se estiverem a pensar que eu tenho é ciúmes. Admito-o! Tenho ciúmes porque acho que ele não é assim tão bom para todos andarem com ele ao colo…

P.S.: Obrigada por me teres ajudado no Flash.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Sem título

Obrigada! Obrigada por tudo ao longo de todo este tempo. Pela presença sempre sentida. pelo estar lá quando era preciso. Pelas palavras quando necessárias. Pelas expressões de afecto nos momentos ideias. Pelos gestos de carinho quando mais só me sentia. Pelos sorrisos todos que faziam acreditar no pote de ouro depois de cada arco-íris. Pelas piadas que tornaram mais leve o meu caminhar...

Feliz aquele que tem a quem recorrer nos momentos difíceis. Amigos não são aqueles que vão para a night connosco e nos oferecem bebidas. Amigos são aqueles que nos dizem sempre a verdade, que se zangam connosco quando fazemos asneiras porque só querem a nossa felicidade. Amigos são os que nos dão conselhos sábios, os que sabem sempre o que é melhor quando as situações não nos deixam ver com clareza.

Feliz aquele que tem quem lhe diga o que fazer, quem não o deixe desistir de tudo e lhe dê novo ânimo. Quem aponte um caminho, inundando de luz as nossas trevas. Quem lhe diga no que é bom...

Feliz aquele que tem Mestres.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

A Praga do Avatar

Num belo dia de Chuva (calem-se, a chuva também pode ser bonita... desde que eu não esteja trajada, tudo bem...), cheguei à sala onde devia ter aulas (atrasada como sempre, mas que raio... ninguém é perfeito...) e vi que quase metade da minha turma (é o que dá sermos poucos, quatro pessoas dão uma grande percentagem...) estava em sites na net a criar avatares...

Eu não quis ficar de fora e lá me aventurei... Foi então que percebi. A cena dos avatares é uma espécie de vício, principalmente para aqueles que não sabem desenhar e como tal não podem fazer caricaturas bem feitas... Por isso, se quiserem uma imagem de marca de vocês próprios, vão a www.dookyweb.com e brinquem à vontade...

sexta-feira, novembro 11, 2005

Adeus

Adeus! Para sempre adeus! Vai-te, oh! Vai-te, que nesta hora Sinto a justiça dos céus Esmagar-me a alma que chora. Choro porque não te amei, Choro o amor que me tiveste; O que perco bem no sei, Mas tu… tu nada perdeste: Que este mau coração meu Nos secretos escarninhos Tem venenos tão daninhos Que o seu poder só sei eu.

Oh! Vai... Para sempre adeus! Vai que há justiça nos céus. Sinto gerar na peçonha Do ulcerado coração Essa vibora medonha Que por seu fatal condão Há-de rasgá-lo ao nascer: Há-de sim, serás vingada, E o meu castigo há-de ser Ciume de ver-te amada, Remorso de te perder.

Vai-te, oh! Vai-te, longe, embora Que sou eu capaz agora De te amar - Ai! Se eu te amasse! Vê se no árido pragal Deste peito se ateasse De amor o incêndio fatal! Mais negro e feio no inferno Não chameja o fogo eterno.

Que sim? Que antes isso? - Ai, triste!

Não sabes o que pediste. Não te bastou suportar O cepo-rei; impaciente Tu ousas a deus tentar Pedindo-lhe o rei-serpente.

E cuidas amar-me ainda? Enganas-te: é morta, é finda, Dissipada é a ilusão. Do meigo azul dos teus olhos Tanta lágrima verteste, Tanto esse orvalho celeste Derramado o viste em vão.

Nesta seara de abrolhos, Que a fonte secou. Agora Amarás... Sim, hás-de amar, Amar deves... Muito embora... Oh! Mas noutro hás-de sonhar Os sonhos de oiro encantados Que o mundo chamou Amores.

E eu réprobo?... Eu se o verei? Se em meus olhos encovados dera a luz dos teus ardores... Se com ela cegarei? Se o nada dessas mentiras Me entrar pelo vão da vida... Se, ao ver que feliz deliras, Também eu sonhar... Perdida Perdida serás - Perdida.

Oh! Vai-te, vai, longe, embora! Que te lembre sempre e agora Que não te amei nunca... Ai! Não; E que pude a sangue frio, Covarde, infame, vilão, Gozar-te - Mentir sem brio, Sem alma, sem dó, sem pejo, Cometendo em cada beijo Um crime - Ai, triste, não chores, Não chores, anjo do céu, Que o desonrado sou eu.

Perdoar-me, tu?... Não mereço. A imundo cerdo voraz Essas pérolas de preço Não as deites: é capaz De as desprezar na torpeza De sua bruta natureza. Irada, te há-de admirar, Despeitosa, respeitar, Mais idulgente... Oh! O perdão É perdido no vilão, que de ti há-de zombar.

Vai, vai... para sempre adeus, Para sempre aos olhos meus Sumido seja o clarão Da tua divina estrela. Falta-me olhos e razão Para ver, para entendê-la: Alta está no firmamento demais e demias é bela Para o baixo pensamento Com que em má hora a fitei; Falso e vil o encantamento Com que a luz lhe fascinei. Que volte à sua beleza Do azul do céu a pureza, E que a mim me deixe aqui Nas trevas em que nasci, Trevas negras, densas, feias, Como é negro este aleijão De onde me vem sangue às veias, Este que foi coração, Este que amar-te não soube Porque é só terra - e não cabe Nele uma ideia dos céus... Oh! Vai, vai; Deixa-me, adeus!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Someone

Hoje conheci uma pessoa. Na verdade, não conheci no sentido de falar com ela a primeira vez, mas no fundo acabou por ser quase uma primeira conversa. A pessoa que eu conhecia hoje fez-me pensar que a verdadeira essência do nosso ser se vê nas nossas criações.

A pessoa que conheci hoje escreve como escreveriam os anjos (caídos, porque esses também são anjos e nunca ninguém se lembra deles). Os nossos olhos ficam presos nas palavras enquanto a nossa alma voa, sentindo que é livre e que os homens não podem fazer nada para a prender.

A pessoa que eu conheci hoje é aquela que eu queria ter conhecido logo no primeiro dia em que a conheci. A que me faz desejar que escrevam também assim, um dia, para mim. a que me faz sonhar com o tempo em que também eu escrevia muito, em que vivia para isso, o tempo em que eu acreditava que era o Amor que me dava a inspiração que precisava, embora eu sempre tivesse a necessidade de ter alguém físico como fonte de inspiração e não me deixasse levar pelos meus modelos imaginário…

E essa pessoa passou, assim, de um momento para o outro, a ser uma pessoa importante na minha vida. Uma pessoa que eu levarei no peito para todos os lados onde for e com quem me preocuparei sempre. Porque as pessoas que não têm medo de partilhar a sua arte com os outros devem merecer um destaque nas nossas vidas. E porque há pessoas que nos conseguem tocar o coração pelo modo como nos tratam.

Surpreendam-se

terça-feira, novembro 08, 2005

Listen To Your Heart

Não… Não adianta… Eu já tentei e não deu… Podem tentar para verem com os vossos próprios olhos, mas é perda de tempo. Quando se quer mesmo uma coisa, não conseguimos fazer nada com qualidade nem nos conseguimos distrair até a conquistarmos. Nem à noite conseguimos ter aquilo a que muitos chamam de sono dos justos, nem de dia conseguimos ter a paz de espírito necessária para sermos felizes.

Acreditem que eu sei do que falo. Agora sinto-me mesmo bem. Parece que subi para um palanque e posso ver o mundo claramente, sem ter de me prender ou ter os meus olhos iludidos pelas criações hipócritas da nossa sociedade. Quando queremos uma coisa temos de decidir se vamos atrás dela ou se partimos para outras paragens. Não vale a pena ficar a remoer sobre o poderia ter sido e nunca foi. Se não deu ou não dá… Paciência! Há mais caminhos.

Talvez esta seja a última vez que vou falar do curso de Medicina (já falei dele aqui?). Quando entrei neste mundo, Medicina era o meu fantasma e eu não estava a tentar fazer nada para me libertar dele. Depois das pessoas que me rodeavam começarem a falar mais baixo, pude ouvir o meu coração, que há muito me tentava dizer que eu não tinha de correr atrás de futuro nenhum porque ele gostava do caminho que estávamos a trilhar…

As dúvidas foram-se todas e para sempre? Não. Nem pensar… As dúvidas ainda são aquilo que nos mantém acordados, que nos faz questionar o mundo e o modo como vivemos, que nos faz evoluir a nível pessoal. As dúvidas vão estar sempre aqui, até porque para piorar as coisas, nem sempre o nosso coração decide utilizar a mesma linguagem que nós. Somos o fruto das dúvidas e delas é constituída a nossa matéria. Não as podemos deixar para trás.

Mas agora, deste sitio onde me encontro confortavelmente, consigo ver que as portas da vida só se fecham para nós quando nós deixamos. Podemos sempre fazer batota e deixar algo a impedir que as portas se fechem totalmente, se isso nos der segurança para avançarmos, por mim parece-me bem…

segunda-feira, novembro 07, 2005

Please, welcome Multimédicos Hipocondriacos

Pois é… Somos nós… (Somos nós, Somos nós, Jornalismo de Letras somos nós… enfim…). E cada vez somos melhores… Pelo menos temos de pensar assim, ou estamos tramados (tramados pode?)

E todas as vezes que penso na minha turma penso logo de seguida “que raio. Como é que conseguimos ser assim… assim… assim… ah, sei lá… assim como somos?”, mas acabo sempre por ter orgulho naquilo que somos, quer em termos colectivos, quer em termos individuais.

Agora o que interessa…

Nasceu (já há algum tempo) o Blog dos alunos do terceiro ano da vertente Comunicação Multimédia (ou será Multimédia da Comunicação? Não, não me parece…) do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação, da Faculdade de Letras (Engenharia, Economia e Belas Artes), da Universidade do Porto.

Dá pelo nome de Multimédicos Hipocondríacos e vale a pena visitar (até porque já lá coloquei um post…).

segunda-feira, outubro 17, 2005

Running to suicide

A Lua ia alta nessa noite, na noite em que eu acordei e não sabia onde estava. Olhei em todas as direcções e não conhecia nada. Pela primeira vez tive medo. Não aquele medo parvo que se tem quando se vai ao dentista ou ao hospital. Um medo verdadeiro, um medo de seguir um caminho sem volta, numa estrada onde se circula de olhos fechados e onde não se sente o chão que se pisa.

Nessa noite, tive de aprender o que já tinha esquecido. E reaprender é pior do que aprender, porque ao longo de todo o processo, vão surgindo as lembranças do que um dia já fomos e os motivos pouco lícitos porque deixamos de o ser. As recordações das alturas em que não fomos fortes o suficiente e nos deixamos moldar pela sociedade.

Dá vontade de rir pensar que nos podemos esconder atrás de justificações como “os outros não têm de saber que eu defendo isto ou aquilo, é algo pessoal, privado…” Não! Aquilo que defendemos não tem de viver só dentro de nós! Temos de partilhar com o mundo, com os amigos mas também com os inimigos. Temos de ter orgulho naquilo que gostamos de fazer ou de ser.

O mais importante é andarmos na rua de cabeça erguida. E enquanto tentarmos calar a voz que grita dentro de nós, dizendo para sermos felizes do nosso modo, isso não será possível.

Por isso, se calhar, até ao final do ano de 2005, terão surpresas da minha parte… Surpresas negras…

sábado, outubro 15, 2005

Sanatas

"Deixei tantas coisas para trás o longo da minha vida! Deixei amigos, ideais… Sei lá… É estranho verificar como uma pessoa vai mudando a sua maneira de ser e o mundo que a rodeia. E o mais irónico de todo esse processo é que quase nunca percebemos que somos nós que estamos a mudar.

Preferimos pensar que são os outros que são instáveis e umas autênticas crianças. Pois quando eu for grande, não quero pensar assim. Por agora ainda penso, mas mais tarde vou mudar.

Um dia destes ainda público um livro, "As Crónicas de Sanatas". Mas será que haverá alguém para ler? Não estarão todos demasiadamente preocupados consigo e com a sua própria vida para se darem ao luxo de parar para conhecerem o modo como penso? Se calhar, o meu namorado é que tem razão. Se calhar, o melhor mesmo é viver o momento sem pensar nos outros, no futuro. Se calhar, o melhor é virarmo-nos, nós também, para os nossos mundos e esquecer os outros.

Hoje vi muitas pessoas a chorar. Eu própria quase chorei. Todas nós tínhamos algo em comum, um sentimento que bem ou mal nos unia. E eu não tenho vergonha de chorar quando é preciso.

Se me quisessem descrever, psicologicamente, neste momento, teria de dizer que pareço um farrapo. Um daqueles panos velhos que todos temos em casa, cheio de buracos, já sem a vivacidade das cores iniciais. Um farrapo que vai cumprindo a sua função mas que todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, vai ter de colocar um ponto final em tudo.

Não sei, neste momento, em que acredito, se acredito em algo, incluindo eu própria. Sentada a esta mesa, questiono o meu passado recente, as encruzilhadas em que estive, as escolhas que fiz, os trilhos que tracei para mim e para os que me acompanham.

No final, sempre a mesma dúvida: será que vale a pena? Fernando Pessoa diria que tudo vale a pena se a alma não for pequena, mas o que sabe Fernando Pessoa sobre mim? O que sabia sobre si próprio? É giro ir escrevendo umas frases soltas, com uma multiplicidade de interpretações, mas será só isso a vida? A existência? Nem sei o que estou a fazer… Fernando Pessoa é um dos poucos poetas que admiro. Qualquer dia estou a dizer o mesmo de mim. só ainda não o fiz porque existe um fino filamento que me segura aqui, seja lá isto o que for. E são as pessoas que admiro que tecem este fio.

E sei que se um dia acordar e elas não estiverem aqui, ao alcance não de uma mão mas de uma lágrima, então aí sim. Aí estarei perdida, sem volta. Mas até lá, vou remendando os buracos que este farrapo tem.

A vida não é vida sem dois pares de braços. Por um lado temos os braços mais importantes do mundo, que são os braços da pessoa que escolhemos (ou o Destino escolheu por nós) para partilharmos a nossa vida. Aqueles que quando nos abraçam levam para longe os problemas, o universo que nos rodeia.

Aqueles que nos protegem, que estão sempre lá, mesmo quando erramos e não os merecemos. Aqueles que nos fazem acreditar que somos grandes e magníficos, que temos o poder de vencer…

Depois existem os outros braços. Aqueles que não sendo um porto de abrigo para repousar, são as bases onde nos construímos como pessoas. Aqueles com generosidade suficiente para se abrirem e nos deixar voar, ao sabor do vento, não nos prendendo para nos proteger da tempestade.

Neste momento, dois rostos bailam na minha mente. Aos poucos os buracos tornam-se buraquinhos e quase desaparecem. Há anos pensava que haviam pessoas que nos faziam acreditar que é possível ter um mundo melhor. Hoje posso afirmar que tive o privilégio de conhecer pessoas que tornam, efectivamente, este mundo num mundo melhor."

O sorriso é a chave que abre a porta do coração.

Luce

A noite descera cedo. Eram 20 horas quando ele estacionou o carro, com um pião. O automóvel imobilizou-se na entrada principal do edificio abandonado. Saimos tal como tinhamos feito na tarde anterior e fomos para o último andar.

Não sabia o que se estava a passar comigo, só sabia que tinha um aperto no peito, que tinha medo e uma vontade tão grande de chorar que, não vertendo lágrimas, me estava a queimar por dentro. Só colocando a mão no seu ombro me acalmei.

Ele estava lá, ao meu lado, por isso nada de mal me poderia acontecer. Lembrei-me da noite (27 Agosto) em que nos zangamos e ele me disse que ia para lá. Nessa noite sabia que tinha coragem para o procurar lá. Tinha de ter a mesma coragem nesse momento...

Foi assim que percebi que os melhores momentos da minha vida eram aqueles em que ele estava ao meu lado. As noites em que disse adeus ao sono para o poder ver a dormir, como uma criança desprotegida. As vezes em que os seus lábios me tocarame eu perdi todas as noções espacio-temporais...

Foi assim que percebi que aquela podia ser a melhor noite de todas as que passei com ele. E fiz todos os possíveis para o ser... E foi!

E nesse momento percebi também uma das lacunas do meu Espelho. Como podia ele não espelhar a minha felicidade? Como podia ele não falar da pessoa mais importante que tenho na minha vida?

Lord Luciffer

quinta-feira, outubro 13, 2005

Rapidinhas

As férias já acabaram. Pois é… Eu ainda não me habituei à ideia a 100%, até porque em três semanas de aulas só fui a metade das cadeiras, e ainda por cima, são dadas pelos professores que eu já conhecia. Moral da história, ainda não conheci ninguém novo. Para marcar esta nova etapa do Espelho, fiz um apanhado do que marcou os meus últimos dias…

O que se segue não respeita nenhuma ordem de importância ou algo parecido. Apenas tinha de haver um alinhamento de informação e eu fui fazendo-o de acordo com a minha memória.

Nariz 2005: o estado da arte

Há pouco tempo, estava eu à espera na Telepizza de Ermesinde, e a ler o Jornal de Notícias quando li uma peça que falava sobre narizes. Não sei ao certo qual era o título, mas sei que acabei por ler toda a peça. A verdade é uma, nunca pensei que em Portugal se fizessem conferencias para se falar de narizes e da sua estética, mas pelos vistos é o que acontece. E “Nariz 2005: o estado da arte” era o título…

Um problema de Log

Cá no curso utilizamos muito os computadores, que estão ligados a um servidor. Até aqui tudo bem. O problema é que há uma grande inconsistência neste curso, ninguém se entende e quem sofre são os alunos, que saem daqui ainda mais confusos. Ora bem, eu para aceder à minha conta faço logIN, logo para sair deveria fazer logOUT, mas não. Todos me dizem para fazer logOFF. Meus amigos, se eu sou obrigada a fazer logOFF, então não me digam para fazer logIN, mas sim logON. Vamos lá ver se a gente se entende.

Autárquicas

”Sem cidadania participativa hoje não há desenvolvimento possível. Não deveríamos deixar os outros resolver tanta coisa por nós e para nós”. Frase retirada da edição já citada do Jornal de Noticias.

Segurança

Há uma coisa que eu não percebo. (Há muitas, é verdade, mas que raio… porque é que o mundo não é como o jogo da Hello Kitty que a Tânia tem no portátil: fácil?) andava eu nas minhas compras de final do mês, como todo o bom português, e fui para a secção de higiene intima (comprar tampões, mas acho que ninguém quer saber esta parte), quando dou por mim a questionar a finalidade da minha existência.

Se uma semana tem sete dias, porque é que as caixas de preservativos só vêm com seis unidades? É uma injustiça… Muita gente me disse que o Domingo é um dia santo e não se fazem dessas coisas, mas no meio desta história toda, quem tem razão é uma caloira e a minha prima. “Não é suposto durarem uma semana” (caloira) e “As caixas deviam ser de 14 unidades e com prazo de validade de uma semana” (minha prima)

quarta-feira, julho 27, 2005

Rooms to Rent

(Amor Proibido)

Se o coração humano fosse um hotel, eu, a esta altura, estava a alugar todos os quartos. Isto porque poucos são os hóspedes que ficam por muito tempo. O que acontece na maioria das vezes é que, ao fim de algum tempo, as pessoas vão embora e nunca mais voltam.

Todos, mais cedo ou mais tarde, acabam por ir. Todos menos um. Um que dormita na suite presidencial e que paga com sorrisos. Um muito especial que se fosse uma estação do ano seria a Primavera, porque por onde passa deixa um rasto de flores.

Há amores que nos transportam até à Lua e que cantamos aos quatro ventos… E há amores que nos transportam até à Lua e que guardamos no mais profundo do nosso ser, com medo de os perder.

Ao longo de uma vida, vamos saltando de amor em amor, de homem em homem, sem percebermos o que tudo isso significa. Amanhã acordamos em braços diferentes daqueles que hoje nos despertaram e só percebemos a importância da vida quando queremos dormir nos braços que estão fechados para nós.

Olho para trás e vejo que amei e fui amada (nem sempre pelos que amava, mas…) mas só o percebo porque aquele que amo, neste momento, não me ama. Mesmo assim, lembro-me bem do modo como me sorri, como me faz sentir bem quando está por perto, como me fez mudar de homem-padrão…

Todos temos Amores Proibidos, pelo médico de família, pelo patrão, pelo professor, pelo director do jornal, pelo homem casado da nossa entrada, pelo sogro… Se calhar, um numa vida inteira… Mas com toda a certeza, um que nos faz perceber que o mundo é pequeno e cabe num abraço.

Um que nos faz perceber que só o sonho de dois corpos juntos é suficiente para continuar em frente…

terça-feira, julho 12, 2005

Excerto de um Exame

”(…) A verdade é que todos nós temos a nossa vida, o nosso credo, o nosso clube de futebol, a nossa inclinação política, os nossos gostos e desgostos e começamos a construir tudo isso muito antes de nos tornarmos profissionais da Comunicação Social.

O grande desafio que se coloca a cada um de nós é manter esta nossa essência, conjugando-a com os deveres ético-deontológicos inerentes à profissão que escolhemos sem colocar nunca em causa a noção de serviço público, isenção e credibilidade.”