sexta-feira, março 30, 2007

Nothing else

Posso ficar velha e morrer sozinha, numa casa enorme, com a melhor das vistas. Posso morrer junto com as ondas do mar, que padecem na areia, mas guardarei para toda a eternidade o seu olhar e as suas palavras, junto ao barulho do mar e do seu vazio, em mim, no meu ser, na minha alma, no que é mais imortal nos seres. E chorarei, mesmo sem ter corpo ou existência física. Continuarei com esse legado para todo o sempre e, recordando o som de umas ondas que morreram comigo, lembrar-me-ei dos bons tempos da vida, de quando ainda tinha amor, dessas palavras e desses dois olhos.

Posso lembrar-me também dos corpos onde perdera o meu tentando encontrar-me e chorar. Chorar por pensar que nada tinha valido a pena. Ou chorar de saudades de todos e de cada um, por perceber finalmente, face à impossibilidade de voltar a sentir o mesmo, que tudo valeu a pena e que tinha sido mágico cada momento passado. Que todos os outros corpos tinham algo do meu e que o completavam e, se voltasse atrás, a vida só faria sentido se voltasse a sentir na minha pele todas as outras. Mas nesse momento, eu não sabia nada, não tinha certezas, não tinha dúvidas. Tinha apenas dois olhos que brilhavam e um sorriso que me dizia ‘Tu és capaz’ e não pedia mais.

terça-feira, março 27, 2007

Alguém me disse...

Alguém me disse que tu andas novamente de novo amor, nova paixão todo contente. Conheço bem suas promessas Outras ouvi iguais a essas. Esse teu jeito de enganar conheço bem.

Pouco me importa que te vejam tantas vezes e que tu mudes de paixão todos os meses se vais beijar como eu bem sei, fazer chorar como eu chorei, mas sem ter nunca Amor igual, ao que eu te dei.

terça-feira, março 13, 2007

Eu ainda sou do tempo...

...em que havia autocarros de dois andares, a que nós carinhosamente chamávamos troll's, e que estavam ligados por uma espécie de cabos e não podiam desviar-se muito da sua rota. O meu pai dizia que eram melhores que os eléctricos (não estou aqui a falar de alunos do primeiro ano de Jornalismo e Ciências da Comunicação). Eu sempre gostei mais dos eléctricos, pelo menos neles eu não enjoava tanto nas viagens, mas nessa altura eu achava que ir até à Areosa era ir muito longe. (Note-se, eu morava no Bairro São João de Deus).

...em que as senhas dos autocarros eram cor-de-rosa e para serem marcadas eram picadas, literalmente. Metíamos a dita senha numa máquina que lhe arrancava um pedaço de um dos lados, e caso fosse de duas viagens, do outro lado na volta. Era giro, principalmente quando a dita máquina não estava a funcionar.

...em que havia notas azuis de 100 escudos e com as quais se podia comprar muita coisa.

...em que esta música se ouvia muitas vezes e eu continuo a gostar da mensagem... (O Fernando Pessoa escreve muito bem.... Piada má)

quarta-feira, março 07, 2007

Morreste-me

Seems like it was yesterday when I saw your face You told me how proud you were, but I walked away If only I knew what I know today Ooh, ooh I would hold you in my arms I would take the pain away Thank you for all you've done Forgive all your mistakes There's nothing I wouldn't do To hear your voice again Sometimes I wanna call you But I know you won't be there Ohh I'm sorry for blaming you For everything I just couldn't do And I've hurt myself by hurting you Some days I feel broke inside but I won't admit Sometimes I just wanna hide 'cause it's you I miss And it's so hard to say goodbye When it comes to this, oooh Would you tell me I was wrong? [ Lyrics found on http://www.metrolyrics.com ] Would you help me understand? Are you looking down upon me? Are you proud of who I am? There's nothing I wouldn't do To have just one more chance To look into your eyes And see you looking back Ohh I'm sorry for blaming you For everything I just couldn't do And I've hurt myself, ohh If I had just one more day I would tell you how much that I've missed you Since you have been away Ooh, it's dangerous It's so out of line To try and turn back time I'm sorry for blaming you For everything I just couldn't do And I've hurt myself by hurting you

terça-feira, março 06, 2007

DEMEGI II – A Vingança

Este é o início da minha terceira semana aqui. ‘Aqui?’, perguntam vocês. Sim. Aqui no Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, mais precisamente no Laboratório de Instrumentação para Medição. Estou a estagiar. Sim. Eu fui capaz de decidir onde queria estagiar, e aqui estou eu. Agora estou é indecisa. Não sei se devo continuar o post a falar do Estágio ou não…

Estou a adorar estar aqui. Ainda não passou tempo nenhum, ainda não estou a fazer nada de muito importante, ainda mal conheço os cantos ao edifício, mas estou a adorar. E estou a adorar porque acho que é uma experiência que me está a tornar numa pessoa mais madura (e agora quem conhece o ambiente aqui está a pensar ‘Madura? Só se amadureceu devido ao calor…’)

Quando eu entrei aqui a primeira vez era muito diferente. Não foi só a experiência aqui que me fez mudar, nem me atreveria a afirmar tal coisa, mas a experiência aqui tem-me ajudado a lidar melhor com o que se passa lá fora e é um motivo muito bom para continuar a lutar por tudo aquilo que sempre quis e ainda não tenho.

E outra experiência que me mudou este fim-de-semana foi a ida à lavagem automática de uma bomba de gasolina. Prioridades neste momento: tirar a carta e arranjar namorado.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

123%

Sentei-me. Liguei o computador. Fiquei a olhar o fundo do ambiente de trabalho. Alguém me disse ‘Trabalha!’ e abri qualquer ficheiro. Fiquei horas a olhar para uma página em branco e vi a minha vida. Vi um caderno de folhas imaculadas à espera que alguém pegasse nele e o escrevesse, de uma ponta à outra, com canetas de vários tons de azul e traços de largura dispares.

O caderno não pode ser escrito por uma só pessoa. A vida é um livro cujos diferentes capítulos são escritos por pessoas diferentes, que acrescentam algo novo, que reforçam ideias, que completam raciocínios, que tentam apagar os parágrafos mal escritos, corrigir os erros de alguma forma… E nós o que fazemos? Nós escrevemos nos cadernos de outras pessoas, porque só assim faz sentido continuar aqui. Se não tivéssemos outros cadernos para escrever ninguém escreveria no nosso e era como se não tivéssemos existência, uma vez que ninguém tinha conhecimento dela.

No fundo somos todos escritores. Viemos ao mundo para realizar feitos literários, para escrever poemas nos intervalos da chuva, para descrever sorrisos iluminados pelo luar, para acrescentar virgulas e pontos finais em obras tidas como acabadas. Nem todos recebemos prémios no final, mas se a vida fosse justa não seria vida seria ilusão.

Os que recebem prémios são os que nos fazem reagir mais ao que escrevem. Os que nos arrancam lágrimas quando descrevem uma paisagem ou vómitos quando falar na existência. Os outros passam, escrevem, seguem o seu caminho, são felizes ou tristes, têm o nosso respeito mas ninguém quer saber deles…

Memórias de uma noite de natal

Ontem não nevou. Tal como todos esperávamos. Nunca neva no Porto; acho que já me habituei a essa ideia. Só neva nos filmes, naquelas histórias de amor que nunca acontecem a ninguém em que ele e ela ficam juntos depois de lutarem com o mundo e ganharem. Ontem foi uma noite como todas as outras. Esteve frio. Não choveu. (não tem chovido muito este Inverno) Estive em casa. Vi um filme e meio. (Há sempre filmes que nunca vejo desde o inicio, mas que percebo lindamente e que me deixam a pensar no porquê de se fazer uma longa metragem, se todas as histórias se resumem a 15 minutos).

O dia de ontem teve uma tarde. Uma tarde fria em que fiz o que fazia quando era criança. Fui à Areosa com a minha mãe, comprar as últimas prendas. Fomos ao Covas comprar Bolo-rei. O meu pai foi à Fátima. (Eu já desisti de lá ir) Depois fomos todos ao Carvalho. Eu adoro o Carvalho. Estava lá o filho dele e depois chegaram as netas. Uma delas tem o meu nome. Quando a Filipa nasceu, a minha mãe ainda tinha o Citroen e fomos com a Liliana vê-la. Na volta, a minha mãe teve um acidente. O motor do carro começou a deitar fumo. A mim doía-me o pescoço e o polegar direito. Foi o Adriano que arranjou o carro. Nunca mais foi o mesmo. E já lá vão 10 anos.

Quando saímos de casa da Rosa, olhei para o que em tempos foi a minha casa. Para o lugar onde deviam estar as paredes que, durante 15 anos, me viram rir com os outros putos, cair da bicicleta, ouvir o senhor de pijama castanho que nunca soube o nome, ouvir a minha mãe a mandar-me comprar óleo, ir para o vão das escadas com o meu primeiro namorado, imaginar a minha mãe à espera do óleo em casa… Não estavam lá. No seu lugar a escuridão da noite e umas quantas estrelas brilhantes.

Virei costas. Estava mesmo muito frio. Disse aos meus pais ‘Vou a correr’. Comecei a andar mais rápido e a tentar não calcar os riscos dos desenhos do chão. Depois comecei a não calcar os quadrados que tinham os blocos de pedra que ladeavam as portas. Até que a minha vontade foi saltar para um bloco de pedra e ir avançando, saltando de um para o outro. Todas as vezes que descia o bairro era isso que fazia, dos 3 aos 15 anos. Desde que nasci até sair de lá. Do lado esquerdo estava a minha escola. Os muros que do lado de dentro dizem ‘Andreia’ em letras cor-de-rosa e asas de anjo azuis. O vaso onde a professora Cármen enfiou a cabeça, depois de eu lhe ter feito uma rasteira e ela cair…

Ontem também existiu uma noite. Uma noite sem batatas, bacalhau, polvo. Com costeletas e fiambre panados. Com um piercing, um DVD de HIM, um casaco, uma jarra, chocolates, 110 euros que já têm destino. Depois uma cama. A história da boneca de papelão que a minha mãe tinha. As palavras ‘um dia, chateei-me com o Fernando e meti a boneca no tanque da roupa’. Uma boneca a desfazer-se. A minha mãe, uma criança ainda, a chorar. No quarto ao lado, a minha mãe ria-se. Eu estava quase a chorar.

Fechei os olhos. Tentei inventar uma história Disney para mim, para acreditar e sonhar até à manhã seguinte. Nada. Só a vontade de chorar pela boneca, o pensamento que a minha está a entrar em depressão, a minha família a ruir e eu afastada. Eu sem fazer nada por eles. Eu a responder torto a todos. Eu a ser egoísta e a sacrificar todos os que gostam de mim de verdade.

Sem príncipe para me imaginar ao seu lado. Sozinha. Na escuridão mais negra que a do quarto. Na escuridão de uma alma vazia.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

A minha casa é tipo Roma (…) mas sem o coliseu

E sem os gladiadores, e sem aquelas pessoas com hábitos tão particulares, e sem o atirar pessoas aos leões, porque também não há leões. Mas a minha casa até parece Roma. E eu pareço um daqueles cidadãos que viviam feliz da vida porque tudo lhes corria menos-mal e achavam que tinham tudo. Até que um dia chega à cidade um forasteiro, que trás histórias de povoações longínquas e que tem algo a envolvê-lo, algo que vai além das suas vestes, que pertence ao espírito.

E esse forasteiro vai ficando, e acaba por comprar uma terra onde monta a sua casa, mesmo ao lado do cidadão outrora realizado, e entra no seu ciclo de amigos. O cidadão percebe que lhe falta muita coisa, que a sua vida está cheia de problemas, que é a sua pessoa social é diferente de si, mas continua a sorrir. E sorri cada vez mais. O seu novo vizinho é convidado todos os dias a ir a sua casa, ou encontram-se nas ruas, para conversarem. Podem falar de acontecimentos banais, podem discutir sobre determinado assunto, podem apenas dar sinais de vida. O cidadão sabe, bem lá no fundo, que esse é o momento do dia em que se sente mais completo, mas inteiro, mas ele próprio.

O efeito é quase como uma anestesia geral (deve ser, não sei, nunca levei nenhuma), ficasse imune à dor, ao frio, à chuva, ao mundo. E sorrisse sem se pensar se deveríamos estar a fazer outra coisa qualquer que posso vir a ser importante para o nosso futuro, porque o futuro não existe.

Há quem lhe chame paz interior.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Hoje o Luar tem um brilho invulgar

Amo-te. Deus me perdoe, mas amo. Quero ser o que tu és. Ver o que tu vês. Amar o que tu amas. És o meu amor e a minha vida sempre. Dou-te vida eterna. Amor eterno. O poder da tempestade e os animais da terra. Bebe e faz-me companhia. Serás condenada a caminhar na sombra da morte para todo o sempre. Mas o amor é mais forte do que a Morte.

Gostei de tudo. E sabem aquela treta de pedir um desejo por vela? Resulta. Os meus vierem com efeito instantâneo e nem foi preciso juntar água e mexer… Só é pena noites assim não durarem para sempre e as pessoas terem motivações diferentes.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

I see you in my dreams...

Bolas... E ainda há pessoas que gostam que os seus sonhos se realizem. A esta hora (devendo eu estar a fazer o nosso e-book) não consigo dizer que não gosto de viver mesmo os meus sonhos, porque, vencida pelo cansaço tenho de admitir que às vezes sabe bem... Podiam vir noutros contextos, com certezas e tal, mas assim também não foi mau.

A curta também é muito boa... Quase tão boa como a nossa de LSI, mas nem toda a gente pode ter o nosso talento. Fica aqui o video. Muito bom também, ou não tivesse Moonspell...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

A Filosofia na Alcova ou Os Preceptores Imorais

Marques de Sade. Visionário para uns, louco e criminoso para outros. Um ser que marcou a sua época e outras que se seguiram. Ainda hoje, muitas pessoas se preocupam em pôr em prática os seus princípios. Muitas das quais nem chegaram a ler uma só das suas palavras. E é isso que me faz admirar mais e mais a minha espécie, porque mesmo sem conhecermos o passado e tudo o que se passa à nossa volta, conseguimos partilhar ideias com os anónimos que vivem e viveram neste planeta.

Mas o Marques, o Divino Marques como li num livro hoje, ficará sempre na lista dita como as ‘Más Influencias’, embora as suas ideias e ideais continuem vivos e de boa saúde. Porque saber ler não é saber juntar as letras e construir palavras, mas sim conseguir assimilar essas palavras e construir raciocínios lógicos com elas. E por isso os ideais de libertinagem continuaram sempre a ser perpetuados porque, como diria LaVey certamente, ‘fazem parte da Natureza do Homem’.

E se alguém me conseguir explicar bem explicado (porque só assim poderá haver uma hipótese de eu mudar de ideias) qual é o mal da libertinagem eu agradecia. Só não me venham com o ‘Porque é imoral’ por favor…

segunda-feira, novembro 27, 2006

No limiar da Morte

Palpita detro de mim a tua realidade. Oiço-te no perturbado pensamento como única realidade que até ao fim me acompanha. No teu enigma, visivelmente te pressagio. Desde a primeira luz estiveste a meu lado como símbolo perfeito de perigo e rebeldia. Hierático no teu abismo, com a sua atração de tudo o que é ignorado, foste o maior desafio.

Cada dia que passa pactuas melhor com os meus sentido, tranquiliza-los, reduze-los, silencia-los neste estranho limiar onde me tens. Metódico e paciente exercitas o teu ofício. Ao despertar percebo o frio raso que deixaste na minha pele nublando as minhas memórias, derramando na mente a sede da tua substância. Sem ti não existiria o fulgor do efémero, nem a radiante intensidade que eleva, nem os sonhos seriam o fervor do futuro.

Por ti avança silencioso o reino que me acolhe. Tu és o escultor do instante, por ti invoco a terra, a avides do desejo, e até chego a pensar que és o próprio Deus; porque sem a tua presença só me restaria viver com tédio sem chama nem nostalgia, sem a sombra da vertigem que para o teu interior me empurra.

Spooky Love

Ele assusta-me. Assusta-me porque não sei nada sobre si. Na noite em que entrou na minha vida, trouxe o nevoeiro, o nevoeiro que eu fui aprendendo a amar, com o passar, do tempo, mas que no início me fez ficar parada, no mesmo sítio, assustada como um animal que se encontra, olhos nos olhos, com o caçador. Tentei manter a postura. Não podia dar eu sinais de fraqueza. Mas por dentro senti o meu coração pequeno. O nevoeiro que hoje amo como se tivesse sido sempre uma parte da minha vida cegou-me totalmente. Parada sem mover os meus pés, tentei tactear o mundo à minha volta para me orientar. Ao fim deste tempo já consigo amar a dúvida e a incerteza que ele representa.

Contudo, ainda me assusto ao vê-lo. O meu sangue ainda corre mais rápido nas veias quando sinto o seu toque, detecto o seu perfume, ouço a sua voz… Porque o risco é sempre risco. Nunca criará uma rotina. O meu mundo organizado caiu. Ele deu-me um novo mundo onde as regras são outras e não são do meu conhecimento. Mas a culpa foi minha que entrei nesse mundo e ainda consigo sorrir.

Tenho cada vez mais medo disto que está cá dentro e que não consigo saber o que é. E medo dele. De me magoar. De o magoar.

terça-feira, outubro 24, 2006

CP

Olho para os mais novos (e, por mais estranho que isso me possa parecer, todos são mais novos neste momento) e apetece-me rir. Eles andam perdidos da vida. Vão para Norte ou para Sul só porque os mais velhos os mandam, mas não percebem nem metade das coisas que fazem. Apetece-me rir porque também eu já estive nesse lugar e já fui assim. Já fiz asneiras como eles hoje fazem e sinto-me feliz por olhar para trás e ter a capacidade de me rir de mim e dos meus.

Às vezes olho para os mais novos, os pequeninos que acabaram de chegar a este mundo e não têm culpa de nada nem devem ser culpados pelos erros dos que os antecederam, e apetece-me chorar. Choro de tristeza porque o tempo nunca vai voltar atrás e eu nunca voltarei a estar no lugar que eles hoje ocupam. Também choro por todos os momentos felizes que são meus e ninguém me irá roubar (porque esses momentos não são cachecóis nem dizem dominó num fundo laranja).

Já dei comigo sentada na nossa Floresta Encantada e a chorar, vendo estas larvas a evoluírem e tornarem-se nos projectos de belas borboletas que um dia todos nós veremos brilhar ao sol. É difícil para eles perceberem que temos saudades de ser também larvas, que as nossas belas asas servem para voar no céu acima deles mas que também nos trazem problemas com os caçadores. Possivelmente só o vão perceber quando as tiverem, porque quando eu era larva dizia que nunca sentiria isto e cá estou eu a sentir. Só espero que nunca ninguém tenha a necessidade de lhes cortar as asas…

Assim como nós neste momento, também eles vão sentar-se no alto de uma colina, vendo outras larvas evoluir, enquanto o pôr-do-sol se aproxima. Vão jurar que um dia, quando a Primavera assim os deixar, vão voltar para um último voo em conjunto, mesmo que muitos saibam que vai ser difícil para eles. Por enquanto eles ainda são larvas e nós ainda cá estamos. Ainda vamos ensinar muitas borboletas recém nascidas a voar. Vamos embora depois. E vamos voltar com o vento de uma manhã fresca de Maio ou Setembro, para dar novas lições, para falar do caminho que nós herdamos dos criadores e do que nós tivemos de conquistar para nós…

Porque depois de nós ninguém voará tão alto como a CP!

sábado, agosto 19, 2006

Há quanto tempo não me amarras à cama

Se tu estranhas eu estar assim Com as ligas de cetim E de chicote na mão; Se tu estranhas eu te pedir P’ra me bateres a seguir E p’ra me atirares ao chão. Se tu tens medo de me aleijar E me chicotear com a pulseira de picos; Se tu estás armado em banal Eu quero um animal, Vem cá fazer-me em fanicos…

Pensa bem, Há quanto tempo nem um murro me dás Vives com o rabo a roçar nos sofás E já nem pregos colocas no pijama. Pensa bem, Há quanto tempo não me matas de dor Nem olhos negros tu me consegues por. Há quanto tempo não me amarras à cama? Pensa bem, Há quantos anos algo em ti já morreu Faz tanto tempo que o viagra apareceu Mas não acende em ti nenhuma chama. Pensa bem, Há quanto tempo vivo já neste horror Ninguém no mundo me castiga com dor. Há quanto tempo não me amarras à cama?

Se tu estranhas eu te morder E estranhas taras eu ter Gostar de levar porrada; Vem cá, Vem me morder como um cão, vem me arrastar pelo chão Deixa-me toda marcada. Se tens medo de exagerar, De não conseguires parar se lhe tomares o gosto, Deixa estar, se algo de mal se passar, Se eu ficar a estrebuchar, Vou de ambulância para o posto…

quinta-feira, julho 13, 2006

Ode ao Sr. Alberto, ao Romeno e ao Mudo

A viver entre os homens comuns, que têm na sepultura a sua última morada, existe um que se diferencia de todos. O seu nome seria digno de figurar no livro de ouro dos deuses de todos os tempos, de todas as culturas. Ao lado de Marte e de Neptuno. Foi esse ser que criou o universo, os diversos corpos celestes: o sol e os planetas do sistema solar. Deve-se a ele a criação de Saturno, de Titã e de todas as suas luas.

Deve-se a ele a criação dos dinossauros, com todas as suas características: a língua, a cabeça, a cauda, as patas… Com todos os seus movimentos… E feliz aquele que pode beber na sua fonte de conhecimento, que pode conviver consigo e observar a sua experiência. O seu nome é Sr. Alberto…

Bendito aquele que parte do seu Estado e se entrega nas asas do vento para viver uma aventura num país distante, numa terra desconhecida e pouco acolhedora. Bendito aquele que não teme o inesperado e se entrega à vida sem medo do que possa encontrar pela frente. Ao olhar para si, todo o Homem se sente pequeno e insignificante. O seu nome é Engraxador Romeno…

Um dia Zeus entregou aos humanos o seu filho e a este entregou a tarefa de ser sempre justo, de não cometer qualquer crime contra a ordem que os filhos de Adão estabeleceram. Desde esse momento, o filho de Zeus renunciou a tudo o que poderia afastá-lo da sua missão. O seu nome é Engraxador Mudo…

quinta-feira, junho 08, 2006

Porque sim… Apetece-me… E agora?

O coração parte-se em dois nos momentos menos oportunos. E é curioso chegar ao final de um dia como outro qualquer e saber-se isso mesmo, que foi um dia qualquer, não foi o nosso aniversário, não nevou na serra da Estrela. E no peito o coração parece maior do que o que realmente é… Mas há outra parte desse mesmo coração que está muito mais pequena.

A vida devia ser construída de acordo com as nossas vontades… As tradições deviam ser mudadas para que as pessoas se sentissem bem nelas…Não há quem diga que a Tradição já não é o que era? Que coisa… A vida não é justa, nem esse seria o meu desejo, mas… Oh…Não sei… Há pessoas que vão perceber estas linhas… Outras não, mas essas que se lixem… Acabei o meu trabalho de SRV e apetece-me falar das injustiças do mundo, que também acaba por ser uma injustiça, porque os outros ainda trabalham. Devemos tratar sempre bem das pessoas que gostamos e nesse processo tentativa-erro acabamos por meter sempre os pés pelas mãos. Apetece-me rir neste momento…

E apetece-me chorar, porque uma parte de mim estará sempre incompleta. Analisando a vida de uma maneira racionalista, quando nos magoamos temos duas moletas, porque só com uma não vamos a lado nenhum… Os pagãos acreditam que tudo no planeta se organiza a pares: positivo/negativo; preto/branco; feminino/masculino… Quando nascemos vimos com a maioria dos órgãos em duplicado: dois rins, dois pulmões, dois olhos, dois ouvidos… O coração é um mas divide-se.

Tenho dois ventrículos e duas aurículas. Se assim é porque é que estando eu a acabar o meu curso me vêm dizer que só posso ter um Mestre? Ridículo, meus senhores. Não aceito. E por não aceitar estou aqui a escrever. Porque não tenho mais nada para fazer e porque me apetece, porque a minha vida é o que me apetece e pronto.

Nunca há-de doer a escolha feita, porque a escolha não foi algo pensado na hora, foi uma certeza que se foi consolidando desde há muito, muito tempo. Que se fosse um muro teria tido os seus tijolos um em cada dia, um em cada tag html transmitido, em cada dúvida que encontrava resposta do outro lado. Uma escolha baseada no meu crescimento ‘profissional’ e pessoal.

Há-de doer sempre a opção que não foi escolhida, eleita, sei lá… Soa-me tudo mal, como se não tivesse valor, como se não significasse, e isso deixa-me mal, de rastos. Essa dor há-de ser ficar cá dentro, como ficam as lembranças tristes da infância e os sorrisos a que damos outro valor quando estamos tristes. Porque, por um motivo que desconheço, essas ficam sempre, e não querem ir embora. Mas ficam também os passos de gigante que me fez dar, o dom de estar sempre lá e de me colocar em dúvida durante dois anos inteiros, porque estas coisas não se pensam na véspera.

‘Nesse templo são dois os pilares, Que protegem e guardam a entrada E fazeres o que queres será, então, o desafio.’

terça-feira, maio 16, 2006

Os nossos fabulosos títulos

Porque há quem diga que eu e a Tânia não conseguimos encontrar um título bom para um trabalho, aqui ficam as provas em contrário...

Quando as fobias se tornam doenças

A psicopatologia do medo

Esquizofrenia - quando as fobias se tornam doenças

Psicocinética do movimento

Taras e Manias

Psicocinética da Fobia

Psicofobia do movimento

Medos

Fobias

Teorias da Coonspiração

Psicocinética da Conspiração

Psicoestrogénio da conspiração

Psicofobia do estrogénio conspirado

Calamento Global

Recalcamento Global de uma mente deturpada

Os impulsos psicocinéticos do recalcamento global

Instintos Primários

sexta-feira, maio 05, 2006

Ovos Moles e Moonspell

LINDO. Foi lindo...

Passava um pouco das 20h quando chegamos a Aveiro. Uma terra que eu nunca tinha visitado, mas que sabia qu eexistia porque os comboios que apanhava para Espinho tinham como destino Aveiro. Fui com a Tânia e a Anabela; o Jão armou-se em estúpido e não foi. Mas valeu a pena, valeu mais do que a pena...

O Fernando Ribeiro em grande. Espectacular como sempre e como só ele. A sua voz ainda ecoa na minha cabeça. O Ricardo Amorim lindo como poucos, pu até nenhuns. Dos seus dotes musicais nem falo. O Pedro Paixão poderosissimo. O Mike sempre o primeiro a entrar e o último a sair (eu acho que ele devia fazer quixa ao sindicado dos bateristas de bandas metal, mas não quero ser intromdetida...)

Resumindo, a noite mais perfeita da minha vida sem estar trajada...

domingo, abril 30, 2006

I hate Love! I love Hate!

Não acredito num mundo bom e perfeito, porque ele não existe. Não acredito que as pessoas tenham de amar o mundo e perdoa-lo e que só assim é que seremos boas pessoas. Não acredito que o amor é o único caminho. Não acredito nem quero acreditar.

Desde que o mundo é mundo existem guerras (estatais ou mesmo pessoais) e será sempre assim, até ao fim. O ódio nasceu no momento em que este sistema de coisas foi inventado e é o meu caminho. Quando o sangue corre bem mais depressa nas veias, quando o sinto dentro de mim a ferver, quando isto acontece, olho ao espelho e não me vejo a mim, vejo uma pessoa nova, com força e vontade para destruir o mundo. Apaixonei-me por essa pessoa quando a vi pela primeira vez.

Ela é diferente de mim, porque eu ainda vou tendo coração (às vezes mais do que desejado, mas…) e ela não o tem. Nada a consegue parar. Essa pessoa que está do outro lado do espelho deseja ter o mundo e esquece-se de tudo o que a rodeia e a ama, porque isso não importa. O Amor só nos tira força; as pessoas que nos amam e que amamos não passam de obstáculos na nossa conquista. E ela passa por cima de todas elas, sem dó nem piedade…

E fico feliz porque sei que ela vai morar sempre do outro lado do meu espelho, que vai estar sempre lá para quando for preciso e que um dia eu deixarei de existir para lhe dar vida eterna…